Gatualidades/ Textos

Estresse e Gatos

Myrian Kátia Iser Teixeira
Especialização em Medicina Felina
Diretora da Academia Brasileira de Clínicos de Felinos ABFel
Médica Veterinária – Medicina Felina
Clínica Veterinária Especializada em Felinos -  Gato Leão Dourado – BH – MG

Estresse
A palavra estresse é usada para se referir a um ajuste anormal da resposta fisiológica e ou comportamental a um estímulo desagradável, intenso ou prolongado.
O termo estresse denota o estado gerado pela percepção de estímulos que provocam excitação emocional e, ao perturbarem a homeostasia, disparam um processo de adaptação caracterizado, entre outras alterações, pelo aumento de secreção de adrenalina produzindo diversas manifestações sistêmicas, com distúrbios
fisiológico e psicológico.

O termo estressor por sua vez define o evento ou estímulo que provoca ou conduz ao estresse.
Nem toda resposta ao estresse é prejudicial. De fato, o estresse é uma parte normal de nossas vidas e traz um certo nível de estimulação que é benéfica e necessária para a saúde.

Fisiologia do estresse
As respostas ao estresse são mediadas pelo sistema nervoso autônomo (SNA) e pelo eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HHA), com ações complementares através de todo o organismo.
A função dessa resposta fisiológica é preparar oorganismo para a ação, que pode ser de luta ou fuga. Por exemplo, uma gazela atacada por um leão na savana africana precisa exatamente dessas alterações orgânicas para tentar sobreviver nos minutos seguintes.

Fisiologia da resposta ao estresse
Ativação do ramo simpático do sistema nervoso autônomo
Liberação de epinefrina e norepinefrina da medula da adrenal
O corpo para se defender ou escapar
↑ frequência cardíaca
↑ pressão arterial
A glicose é liberada pelo fígado
O sangue é desviado para o sistema nervoso central e para os músculos
Os bronquíolos se dilatam

Ativação do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal
Secreção de corticóide

Estresse crônico
Ativação constante do eixo hipotálamo-pituitária-adrenal
Secreção de corticóide
Respostas metabólicas adversas
Desidratação
Perda de peso
Impedimento do crescimento normal
Depressão mental
Alterações comportamentais
Resistência à insulina
Comprometimento do sistema imune
Susceptibilidade à infecções
Úlceras gástricas
Diminuição da eficiência reprodutiva
Morte súbita
 
Fatores que afetam a resposta ao estresse
Severidade
Cronicidade
Duração
Estímulo novo
Percepção individual
Genética
Personalidade
Socialização prévia
Experiência
Má nutrição

Estímulos estressantes para gatos
Doença
Confinamento
Transporte
Viagem
Mudanças de temperatura
Mudanças de luminosidade
Mudanças de ventilação
Isolamento
Superpopulação
Cheiro diferente
Cães
Outros gatos
Mudança de alimentação
Mudança de ambiente
Manipulação
Internação
Ausência de contato humano familiar
Presença de contato humano não familiar

 

Características do gato estressado
Alerta
↓ comportamento exploratório
↑ ato de esconder
↓ ou ↑ alimentação
↓ ou↑ higiene diária (grooming)
↓Período de sono
↓ arranhadura
Estresse crônico: inatividade, fingir dormir, depressão.

Necessidades do gato no consultório
Ambiente calmo
Tom de voz baixo e suave
Sem latidos de cães
Sem cheiro de cães
Tempo para ambientação
Exame clínico no tempo do gato
Movimentos suaves

Alterações provocadas pelo estresse
↑ frequência cardíaca
↑ pressão arterial
↑ volume globular
Leucocitose
↑ glicemia sanguínea ( até 250mg/dl)

Para minimizar o estresse dos gatos em casa e na clínica podemos promover algumas condições como:
Cuidados regulares
Atividades exploratórias
Brincadeiras
Arranhadores
Locais para se esconder
Locais para escalar
Enriquecimento ambiental
Exposição à luz natural
Local silencioso (especialmente sem latidos de cães)
Local bem ventilado
Tamanho do gatil: = ou > 1 m2
População: <0,7 gato/m2
Acesso fácil para as áreas de alimentação e de eliminação
Separação das áreas de alimentação, eliminação e descanso

Estresse e doenças
A intensidade da resposta aguda ao estresse deve ser proporcional à ameaça do estressor, tanto em intensidade como em duração. Assim a mobilização de energia induzida pelo estresse deve se adequar às necessidades para a restauração do equilíbrio orgânico e deve persistir por um tempo limitado, que não comprometa o organismo, em razão, por exemplo, de seus efeitos inibitórios sobre a digestão, crescimento, reprodução e resposta imune.
Dessa forma, o estresse freqüente ou mantido por longo tempo pode comprometer o organismo gerando doenças.

Estresse e sua relação com as doenças em gatos
Lipidose hepática felina – estresse → anorexia → lipidose 
Reativação viral – manifestações clínicas do herpes vírus felino
Cistite intersticial
Úlceras gástricas
Morte súbita  em gatos com cardiomiopatia hipertrófica assintomática
Hipertireoidismo – gatos com hipertireoidismo tem maior propensão aos efeitos negativos do estresse agudo
Câncer
Comprometimento do sistema imune – maior risco de infecções
Hipertensão
Distúrbios comportamentais – ansiedade –obesidade
Resistência à insulina – Diabetes mellitus

Terapias alternativas
Homeopatia
Aromaterapia
Terapia Floral
Reiki
Acupuntura
Cromoterapia
Terapia magnética
Massagem

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