Cantinho do Arthur / Meu nome é Arthur

Sou o dono de tudo e de todos aqui na Gato Leão Dourado. É, eu sei, você deve estar pensando, que gato sortudo!! Tão jovem e com tantas posses....deve ser herdeiro de uma família quatrocentona tradicional mineira....nunca deve ter se esforçado para conquistar nada...tudo o que possui deve ter vindo de mão beijada....Caro leitor, não se deixe enganar pelas aparências! Como diz o velho adágio: “Não se deve julgar o livro pela capa !”. Na realidade, a minha vida foi dura, e não se engane, tive que me dedicar para conquistar o meu espaço. Sabe aquele livro “Quem mexeu no meu queijo”? Pois é, tive que desenvolver as minhas faculdades de adaptação de tal maneira que fariam os dois ratinhos protagonistas do livro parecerem iniciantes. A minha história aqui na clínica começou assim: Fui abandonado com minhas duas irmãs. A Myrian, quando viu o trio, ficou compadecida e resolveu ajudar a encontrar pessoas que pudéssemos ser donos. Achou estranho né?! Mas, meu caro leitor, se você tem um gato, já deve ter percebido que ele é o seu dono, não o contrário. Bom, continuando a história, acontece que as minhas irmãs sempre foram mais “engraçadinhas” do que eu e, devido a isto, acabaram encontrando pessoas que se dispusessem a leva-las para casa antes de mim. Primeiro foi a Aninha, a mais nova, confesso que fiquei chateado em ver a nossa família se desfazendo, mas ainda bem que ela conseguiu pessoas que iam trata-la como uma rainha, diga-se de passagem, a única forma de cuidar de uma gata. Mal havia me recuperado do trauma de perder a companhia de minha irmã caçula, a segunda foi adotada. Aí entrei em pânico. Como vou fazer para viver aqui sozinho? Fiquei deprimido, e acredito que devido a isto, ninguém se interessava por mim. A Myrian bem que tentou, mas o problema estava comigo, não conseguia me animar diante daqueles que podiam me adotar. Em um dia daqueles no qual eu não sabia se queria casar ou comprar uma bicicleta, comecei a perceber que o problema não estava nas pessoas que podiam me adotar, mas sim, comigo mesmo. Apesar de muito jovem, eu era “sem graça’. Foi aí que comecei a minha mudança de comportamento. Como bem disse Gandhi: “devemos ser as mudanças que buscamos no mundo”, foi aí que percebi que, se não fosse mais animado, nunca ninguém se interessaria por mim.....

Próximo capítulo...

 

 


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